Nossa História

PEDRA BRANCA, A PRIMEIRA VEZ

 

A história do Espeleo Grupo Japi e da caverna Pedra Branca se confundem, pois nasceram praticamente juntas.

 

Em 2004, mais precisamente em 02 de Outubro daquele ano, adentramos pela segunda vez a Caverna Pedra Branca, foi quando efetuamos de fato a sua exploração. Na primeira vez, em Julho do mesmo ano, fizemos um reconhecimento do trajeto até ela e tentamos fazer uma avaliação do seu potencial, já vislumbrando as próximas expedições para mapeamento e prospecções no seu entorno.

 

Com sua entrada parcialmente obstruída por um desmoronamento, mostrou-se discreta a primeira vista, porém ao adentrá-la, deu sinais de amplitude, com uma galeria de proporções até razoáveis que foi suficiente para encher os nossos olhos.

 

 

Iniciamos a exploração avançando com facilidade pela galeria que se manteve praticamente com as mesmas dimensões, até atingirmos uma pequena depressão que se estende no mesmo sentido em que adentrávamos, e a esquerda apresentava-se uma canaleta bem definida e em aclive. Neste ponto, além do desnível à frente e a rampa à esquerda, tivemos as facilidades reduzidas devido à umidade excessiva e o piso tomado por argila, que exigiu certo cuidado para superarmos a subida sem quedas, sendo que este parecia ser o caminho mais atraente. Ao vencermos a rampa deixando para trás a depressão, que mais tarde seria alvo de exploração, tivemos que nos esgueirar entre lacas que resistiram à dissolução, e logo, atingimos uma nova galeria de proporções moderadas e que seguia tanto a esquerda como para a direita.

 

Primeiramente seguimos a esquerda, porém, poucos metros adiante nos deparamos com uma pequena câmara sem continuidade, retornamos e prosseguimos no sentido contrário da galeria com sua altura diminuindo à medida que investíamos para o interior da caverna, até que atingimos um ponto que parecia ser o final. Já meio decepcionados com a possibilidade da cavidade não avançar, observamos a esquerda uma passagem muito baixa, imediatamente me coloquei a rastejar por este conduto que se tornava cada vez mais baixo, até que atingi um ponto que aparentemente não me permitiria prosseguir. Neste momento comecei a retornar o mais depressa que pude, pois a fuligem do carbureto começou a me sufocar devido a uma corrente de ar que provinha da estreita passagem e a lançava contra o meu rosto.

 

Comuniquei ao restante do grupo, logo que saí do conduto, sobre a notícia boa e sobre a ruim. A boa era que a corrente de ar indicava que havia possibilidade de continuação, e a ruim era que a princípio não seria possível passar por aquela passagem tão baixa e estreita. Mais do que depressa saquei da minha mochila uma pequena pá desmontável, e retornei para o conduto com a certeza de que se removêssemos a argila que se acumulou naquele local, poderíamos vencer o estreito. Com o espaço reduzido ao máximo, não era possível fazer grandes movimentos, o que tornou o trabalho bastante árduo, porém gratificante, uma vez que após revezarmos, eu e o Leandro (Periquito), consegui ultrapassar o obstáculo e rastejando por mais alguns metros, atingi uma galeria novamente com dimensões razoáveis, e que parecia prenúncio de mais caverna.

 

Uma vez em pé, em uma galeria não muito larga mas com grande altura, bastante otimista me comuniquei com o “Periquito” avisando que havia vencido o rastejamento.

 

Fiquei admirando o que havíamos descoberto, enquanto ele rastejava rumo à nova galeria. Assim que o Leandro chegou, comemoramos a modesta mas importante conquista e em seguida avançamos. Logo adiante a galeria se dividia em dois condutos, sendo que um seguia a direita no mesmo nível, e o outro à esquerda subindo em rampa. No piso, o tempo todo pudemos notar que a argila parecia ter sido moldada pelo movimento da água que por ali passou, apresentando ondulações enfileiradas.

 

Durante este curto período em que permanecemos neste trecho da caverna, observamos que devido ao estreitamento que separa o primeiro segmento (antes do rastejamento) do segundo (após o rastejamento), a ventilação é bastante precária, tornando totalmente desaconselhável o uso das carbureteiras, por motivos óbvios, e bastante aconselhável o uso de máscaras, com o intuito de evitar inalar as partículas suspensas no ar, que só DEUS sabe o que podem conter e a quanto tempo repousam isoladas nesta cavidade, uma vez que a umidade existente é insuficiente para impedir a sua suspensão e principalmente devido a presença de muito guano neste local.

 

Embora tenhamos consciência de que somos os primeiros a pisar, pelo menos no trecho após o rastejamento, não estávamos satisfeitos, obviamente queríamos muito mais, pois o fascínio pelo desconhecido é envolvente, mas o tempo já estava se esgotando e precisávamos retornar para a entrada da caverna e enfrentar toda a trilha de volta.

 

Entusiasmados com as perspectivas de avançar, agora era só organizar uma expedição para voltarmos, iniciarmos a topografia e dar continuidade à exploração desta aparentemente modesta, mas sedutora cavidade, que a princípio parece prometer novas surpresas.

 

E foi o que aconteceu, conforme descrito inicialmente, dia 02 de Outubro de 2004 seria a data escolhida para a segunda investida.

 

A bem sucedida primeira investida à Pedra Branca, que logo de cara se mostrou cheia de segredos e de boas surpresas, era tudo que precisávamos, era o impulso que faltava para se concretizar o nascimento do EGJ – Espeleo Grupo Japi. O fato de ser uma caverna totalmente inexplorada, foi essencial para moldar a nossa identidade e caracterizar um primeiro trabalho exclusivamente nosso, que se originou em Julho de 2004, data daquela primeira expedição de reconhecimento e exploração.

 

Na ocasião da segunda investida, o grupo que estava em campo era formado por eu, Juliano, Leandro (Periquito) e Marcelo Gonçalves, sendo que eles, o Leandro e o Marcelo, por morarem em São Paulo, estavam tendendo a ingressar para a UPE – União Paulista de Espeleologia, restando a mim, Juliano Jesus Vicente, Marcelo Tartari e Thales Pierre Torisselli, para compor a formação inicial do EGJ.

 

Não nos abatemos com a “perda” dos dois amigos que não mais participariam da formação do grupo, que se concretizou e somente se oficializaria em 02 de Agosto de 2006.

 

Por Mauro de Oliveira Neto

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