dez
29
2018
63ª Expedição (Lajeado – Sítio do Amir)
Por: Mauro de Oliveira Neto
Atividade: 63ª Expedição EGJ (Lajeado – Sítio do Amir)
Cavidade: Abismo dos Caracóis
Município: Iporanga
Data: 12, 13, 14 e 15/10/2018 (Padroeira)
Viagem de ida: Saída 08:36 h  12/10/2018
Chegada 14:15 h
Viagem de volta: Saída 14:20 h  15/10/2018
Chegada 21:10 h
Grupo: Marcelo Zagretti Saito e Mauro de Oliveira Neto
Veículos: Etios (Marcelo)
Objetivos: Iniciar a exploração das sete possíveis novas cavidades descobertas
na expedição anterior, na região do Sumidouro I.
Tempo de atividade: Equipagem-           01:30 horas
Exploração-           02:40 horas

Relato:
12/10/2018
Conseguimos sair de Jundiaí em um bom horário, 08:36 h inciamos a viagem dando a partida para a realização da 63ª Expedição do Espeleo Grupo Japi.
Depois de uma breve parada em Capão Bonito, como é de costume, 12:50 h já estávamos em Apiaí.
Após comunicar o pessoal de que a viagem até ali havia transcorrido perfeitamente, 13:05 h seguimos rumo ao Lajeado.
14:15 h chegamos na estrada de acesso à cabana do Sr. Amir.
Acreditando que ficaríamos na cabana, descemos já levando parte das mochilas e uma vez confirmado com o seu Amir, carregamos o restante.
Às 15:00 h já começávamos a nos organizar para uma prospecção, para tentar localizar a Gruta Perdidos e o Abismo Vandir, ambos cadastrados a muito tempo e não sabemos com que precisão, sendo que o Abismo Vandir provavelmente com quase nenhuma, haja visto a escassez de informações no seu cadastro.
16:00 h saímos para inciar a pretendida prospecção, buscando primeiramente a Gruta Perdidos. Começamos com relativa facilidade, porém subindo a encosta nos deparamos com uma verdadeira parede, que parece ser um grande afloramento associado a um emaranhado de cipó e bambú, o que dificultaria e muito o nosso avanço, e como o foco principal é a exploração das possíveis novas cavidades na região do Sumidouro I, optamos por recuar e poupar as nossas energias, e às 17:10 h seguiríamos então para buscar as coordenadas do Abismo Vandir, que estão na mesma encosta, mas do lado oposto da cabana.
Passamos pela já conhecida pequena cavidade vertical, próxima a área de cultivo, um pouco acima da cabana, e verificamos que as coordenadas do abismo estão bem próximas e que talvez possam se tratar da mesma cavidade, embora ainda não saibamos se este novo pequeno abismo, segue abaixo, ou seja, se ele possui continuação além do que os nossos olhos nos permitem ver, pois ainda precisamos explorá-lo, o que será feito a princípio, através da sonda elaborada pelo Vaccaro. Seguimos com a prospecção, visando nos aproximar o máximo possível do ponto das coordenadas, e quando atingimos o ponto, nem sinal sequer de um afloramento rochoso nas redondezas, exceto por aquela abertura vertical em rocha viva.
Com o objetivo de localizar o ponto das coordenadas alcançado, às 18:15 h iniciamos o retorno para o acampamento, onde chegamos às 18:33 h.
Jantamos após um ótimo banho quente e após ajeitarmos alguns equipamentos.
Com tudo bem encaminhado, nos preparamos para descansar.
21:15 h toque de recolher.

13/10/2018
Alvorada ás 5:15 h
9:35 h após tomarmos o café da manhã e acabarmos de ajeitar todos os equipos, água e lanche de trilha, finalmente saímos da cabana, rumo à região do Sumidouro I.
O objetivo seria iniciar a exploração das possíveis sete cavidades que o Marcelo e o Gildo descobriram na expedição anterior, a 62ª.
Às 11:05 h chegamos na bifurcação aberta por eles, já saindo da trilha para o sumidouro e caminhando para a área em que estão as novas cavidades, por essa nova trilha que certamente deu muito trabalho para ser aberta. Repleta de afloramentos, com lapiás e buracos sob muita matéria orgânica, exigiu muito cuidado para ser percorrida. Durante o trajeto o Marcelo já foi apontando algumas reentrâncias, mas seguimos direto para as mais promissoras.Depois de verificarmos um sumidouro que marca o final, provavelmente de um riacho intermitente que merece e vai ser explorado oportunamente, seguimos para um abismo que se encontra a poucos metros dali, onde chegamos às 12:00 h, fizemos a primeira verificação empolgados, e retornamos à trilha para lanchar e nos equipar.

12:30 h retornamos para o abismo para analisarmos como faríamos a equipagem. Para nos garantir na borda do desnível, usaríamos uma árvore como ancoragem natural, para podermos iniciar a perfuração na rocha, onde fixaríamos o spit para a ancoragem que nos permitiria a descida em um único lance, embora nos últimos três metros, passássemos a desescalar com os pés em contato com a rocha, até o ponto de chegada.



Já pendurado na borda, comecei o trabalho de furação. Estávamos bem adiantados, com aproximadamente uma hora de abertura do furo, quando decidimos revesar. O Marcelo já estava pronto para dar continuidade ao trabalho, quando ouvi um som que mais parecia o motor, vindo em nossa direção. Meio que sem entender, logo percebi que se tratava de uma tempestade se aproximando rapidamente. O som da chuva pesada vindo de encontro com a vegetação, provocou um ruído intenso, que veio acompanhado de raios, trovões e vento. Assim que entendi o que estava acontecendo, falei com o Marcelo para que saísse rapidamente da borda do abismo e seguimos até as mochilas para recolher todo o material que estava exposto, e nos proteger com as capas de chuva.
Foram momentos tensos, pois não tínhamos muito o que fazer para nos proteger da forte chuva, raios e do risco de queda de galhos podres e tufos de bromélias que acabam despencando da copa das grandes árvores.
Assim que as coisas acalmaram um pouco, recolhemos o restante dos equipamentos e por volta de 16:30 h, iniciamos o retorno, ainda debaixo de chuva.
17:00 h chegamos na bifurcação da trilha do sumidouro, até onde caminhamos com muita cautela, devido ao trecho difícil de trilha, com parte da carga encharcada, portanto mais pesada, e com o agravante da chuva.
Às 17:30 h já tínhamos saído da canaleta, local bem definido, onde se encontra outro abismo a céu aberto e que ainda não exploramos. Neste ponto paramos para lanchar e nos hidratar, e só prosseguimos com o retorno às 18:00 h.
Mesmo com a trilha pesada, às 19:00 h já estávamos na cabana, sãos e salvos!!!!
Desmontamos as mochilas, nos desequipamos e partimos para o preparo do jantar e para encarar um bom banho gelado, pois não teríamos água quente. Revitalizador!!!!
22:15 h toque de recolher.

14/10/2018
Alvorada às 5:15 h.



9:05 h saímos da cabana rumo ao novo abismo para retomar a equipagem.
10:05 h chegamos ao local onde lanchamos no dia anterior, prontos para pegar a canaleta que nos leva para a direção pretendida.
10:35 h atingimos a bifurcação.
10:55 h chegamos no local em que se encontra o abismo e resolvemos lanchar antes de retomar os trabalhos.
Uma vez alimentados, seguimos para montar novamente a ancoragem a partir da árvore mais próxima da boca da cavidade.
Assim como ocorreria no dia anterior, o Marcelo é quem continuaria com a perfuração. Ao atingir a profundidade necessária, trocamos de posição e enquanto o Marcelo preparava a sua mochila, eu batia o spit e preparava toda a ancoragem para a sua descida, pois ele seria o primeiro a pisar no fundo da cavidade.

Depois da primeira descida no abismo do Salão Nordestino, no ponto mais profundo da caverna Pedra Branca, este seria o segundo grande desnível a ser vencido pelo Marcelo.
Por volta de 15:00 h, ele inicia a descida e a exploração da nova cavidade.
15:15 h atinge o fundo em um só lance de corda, conforme planejado, negativo em quase toda a sua extensão.
Com  a corda livre, iniciei a descida e alguns poucos metros abaixo pode-se observar um pequeno patamar com a insinuação de uma fenda que merece ser verificada.
Com os pés no chão, juntos no interior do abismo, iniciamos a exploração, haja visto que felizmente havia encavernamento, porém, não muito extenso. A cavidade se resume em um conduto que leva a um pequeno “salão”, com sua maior parte com teto muito baixo, com um curto conduto que desce á esquerda e um outro pequeno espaço, após um rastejamento pelo trecho de teto baixo. Só não conseguimos fazer a verificação de um bolsão que existe acima do nível em que estávamos, que para ser alcançado, necessitaria ser escalado, e não tínhamos tempo para fazê-lo com segurança.

Com o tempo se esgotando, fizemos os últimos registros fotográficos naquele nível e o Marcelo inciou a subida. Logo em seguida eu também subi, de formas que as 17:25 h, nós dois já estávamos fora da cavidade, e com o nome da mesma definido. Em função do grande número de caracóis verificados no seu interior, definimos o nome como sendo Abismo dos Caracóis.
Com todo os equipamentos acomodados nas mochilas, lanchamos e ás 18:00 h iniciamos a caminhada de volta.
Às 18:21 h, com chuva fraca, chegamos na bifurcação.
À s 19:15 h atingimos a trilha principal.
19:32 h chegamos na cabana. Mesmo com chuva fraca, mas contínua, em apenas uma hora e trinta e dois minutos, conseguimos chegar no acampamento, sendo que logo após a nossa chegada, começou a cair uma chuva torrencial.
Satisfeitos com os resultados e conversando sobre oque mais poderia ser feito no dia seguinte, dia de retorno, iniciamos o preparo do jantar, revezando para poder tomar o banho revitalizante.
De estômago cheio e com muito cansaço, encerramos as atividades.
21:50 h toque de recolher.

15/10/2018
Alvorada às 6:15 h.
Com o café tomado e boa parte da tralha arrumada, às 10:45 h saímos da cabana e seguimos até o estreito abismo, que pela proximidade das coordenadas, acreditamos possa ser o Abismo Vandir, que está localizado um pouco acima, bem próximo da cabana.
Os objetivos seriam testar a sonda e obter as imagens da cavidade, afim de verificar se há alguma continuação.
Depois de fazermos uma limpeza no entorno da boca do “abismo”, às 11:30 h iniciamos a descida da sonda através de uma corda, e as 11:37 h, já há tínhamos de volta. Obviamente nem tudo saiu conforme gostaríamos, mas por ser a primeira vez, com certeza o teste foi válido, nos restando aguardar o retorno para podermos avaliar as imagens em um computador.
11:45 h, missão cumprida, com os equipamentos acondicionados, retornamos para a cabana, onde ainda tínhamos que terminar de organizar as mochilas e transportar tudo para o carro, para na sequência podermos iniciar a viagem de retorno às 14:20 h.
Por volta de 15:35 h estávamos em Apiaí para conversar e nos despedir do Sr. Amir e fazer os contatos costumeiros com todo o pessoal em Jundiaí.
16:25 h demos continuidade à viagem de retorno, saindo de Apiaí, sentido a Guapiara.
18:00 h fizemos uma breve parada em Capão Bonito.
21:10 h chegamos em Jundiaí, encerrando a bem sucedida 63ª Expedição!!!!

Por Mauro de Oliveira Neto

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