set
23
2018
62ª Expedição (Lajeado – Sítio do Amir)
Por: Mauro de Oliveira Neto
Atividade: 62ª Expedição EGJ (Lajeado – Sítio do Amir)
Cavidade: Gruta do Travertino Amarelo e Gruta do Cânion (descobertas)
Município: Iporanga
Data: 07, 08, 09 e 10/09/2018 (Independência)
Viagem de ida: Saída 12:00 h  07/09/2018
Chegada 20:00 h
Viagem de volta: Saída 12:00 h  10/09/2018
Chegada 20:45 h
Grupo: Mauro de Oliveira Neto, Marcelo Zagretti Saito, Gildo Cezar Bordim,
Felipe Daniel de Oliveira e Tiberê Samuel Rodrigues
Veículos: Sportage (Mauro), Celta (Gildo) e Sandero (Tiberê)
Objetivos: Prosseguir  com  o “Projeto Sumidouros”, acessando o  fundo da segunda
dolina. Em caso de  descoberta  de encavernamento, iniciar a exploração.
Dar continuidade  à prospecção subindo o leito seco, no sentido contrário
ao da primeira dolina, com o objetivo de atingir a próxima vertente.
Tempo de atividade: Prospecção –          14:20 horas
Exploração-           03:00 horas
Equipagem-           02:00 horas

Relato:
07/09/2018
Excepcionalmente nesta expedição, iniciamos a viagem às 12:00 h, para podermos prestar a nossa manifestação de pesar ao amigo Vaccaro, pelo falecimento de seu pai, o Senhor Airton, que chegou a participar como convidado especial, de uma das expedições do grupo. Companheiro de todas as nossas confraternizações de fim de ano, para as quais, sempre nos cedeu o espaço.
Ainda pela manhã, o Tiberê e o Gildo já haviam seguido viagem em veículos distintos, pouco antes de nós.
Passamos pelo sítio do Marcelo em Cabreúva para pegá-lo e as 13:35 h seguimos viagem.
Fizemos uma breve parada em Capão Bonito, de onde saímos às 16:40 h.
A segunda parada, que é obrigatória, foi feita em Apiaí, para os importantes contatos, feitos rapidamente, para às 18:30 h seguirmos para a última etapa da viagem de ida, onde encararíamos um longo trecho de estrada de terra até o nosso destino final.
Finalmente às 19:55 h chegamos no sítio do senhor Amir, onde já se encontravam os carros do Gildo e do Tiberê, mas mesmo assim, resolvemos verificar se realmente ficaríamos na cabana, ou se iríamos para a casa da mineradora, antes de começar a descarregar os equipamentos.
Após os cumprimentos, confirmou-se que ficaríamos por alí mesmo e então partimos para começar a baldeação de todos os equipamentos. Por gentileza do Sr. Amir, já tínhamos um jantar pronto e a possibilidade de um banho quente, por conta do fogão à lenha.
Com tudo bem encaminhado, 22:50 h, Toque de recolher.

08/09/2018
Alvorada 5:30 h.
Depois de uma boa conversa durante o café da manhã, decidimos que nos dividiríamos em duas equipes, sendo que o Marcelo e o Gildo, seguiriam para a primeira dolina, e a partir de lá, seguiriam abrindo a trilha, com o objetivo de chegar até a próxima vertente, enquanto eu,  Tiberê e Daniel, seguiríamos para a trilha que prosseguiríamos abrindo, com o objetivo de chegar à segunda dolina.

Equipe II
8:10 h saímos da cabana, logo depois do Marcelo e do Gildo, que seguiram um pouco antes.
Às 10:10 h, depois de perdermos algum tempo passando do ponto de saída da trilha principal, mas que acabou servindo para mapearmos a sua continuação em pelo menos uns quatrocentos metros, seguimos refazendo o caminhamento traçado na expedição anterior.
Às 10:45 h, antes de chegarmos ao trecho repleto de lapiás, conforme já havíamos cogitado, começamos a corrigir a direção para Noroeste, que era a direção indicada pela linha guia, rumo à segunda dolina, já dando início a abertura da continuação da trilha.
Somente duas horas depois, às 12:45 h, finalmente conseguimos atingir a borda da segunda grande dolina, e ao contrário da primeira, nesta ouvíamos claramente o som de água corrente, o que já era mais um bom motivo para comemorarmos. Diante da impossibilidade de prosseguir por ali, subimos retornando um trecho, paramos para lanchar, e somente às 13:25 h continuamos. O Daniel já havia avançado, iniciando a correção do rumo e seguimos margeando o abismo. Descemos até finalmente às 14:00 h, atingir o nível do riacho, conforme planejado.
Com água abundante, tínhamos uma preocupação a menos. Por um bom trecho conseguimos manter contato por rádio com a outra equipe, o que já há algum tempo não era mais possível. Nos restava de alguma forma seguir riacho abaixo, rumo ao fundo da dolina, e ansiosamente avançamos, até nos depararmos com o imenso paredão e um gigantesco abrigo em forma de ferradura, com vegetação e muitos blocos abatidos ao longo de sua grande extensão.

Para nossa decepção o riacho some em seu próprio leito, pouco antes de atingir o paredão, sendo que o leito que segue até o mesmo, tem o que seria provavelmente a sua continuação totalmente colmatada. Mediante o cenário encontrado, resolvemos nos separar e iniciar uma exploração, na expectativa de encontrarmos uma continuação a partir de algum ponto do enorme abrigo.
Por volta de 16:30 h, após muita persistência e descoberta de vários outros condutos, merecidamente fomos recompensados, uma incrível e bem ornamentada galeria, avança mais do que as até então encontradas, e nos mostra um grande desnível que precisaremos equipar para verificarmos se a cavidade continuará avançando, mas aparentemente deveremos ter boas surpresas.
Empolgados mas com o tempo esgotado, às 17:30 h iniciamos o retorno, com a dúvida de se iríamos retornar pelo caminho traçado por nós, ou se por uma trilha existente, na qual desembocamos ao sair da encosta.
Às 18:00 h, já com a noite se apresentando, atingimos a trilha existente, nos abastecemos de água e nos rendemos a aparente facilidade que a referida trilha parecia nos oferecer.
Por volta de 18:35 h, depois de verificarmos estar nos afastando da direção pretendida, atingimos um outro riacho e junto dele uma bifurcação, com uma trilha que segue serpenteando o mesmo, pela qual seguimos, até resolvermos seguir pelo próprio leito do riacho, onde presenciamos novamente as águas sumirem. Prosseguimos pelo leito seco, até que as 19:20 h atingimos um ponto com grande desnível, onde parece haver uma cachoeira, quando há água correndo.
Em meio a escuridão, mesmo com o poder de luz das lanternas, não era possível ter certeza do que exatamente teríamos pela frente. Resolvemos lanchar e as 20:00 h iniciamos o retorno, fazendo todo o trajeto de volta pelo mesmo caminho percorrido na vinda. Às 21:00 h estávamos de volta ao riacho que segue para a segunda dolina, nos refrescamos, coletamos mais água e iniciamos a subida pela encosta. Logo ao chegarmos no topo tentamos contato via rádio com a outra equipe, e para nossa surpresa foi possível falar com clareza, e nos informaram já estar na cabana, que dista uns dois quilômetros em linha reta, do ponto em que nos encontrávamos. O Daniel informou por alto o que havia ocorrido, fizemos uma estimativa do tempo que levaríamos para chegar ao acampamento e retomamos a caminhada.
Somente às 22:45 h conseguimos chegar na trilha principal, para uma hora de caminhada depois, às 23:45 h, chegarmos no acampamento, exaustos, mas realizados, com plena sensação de dever cumprido, com os grandes resultados obtidos.

Equipe I
Já a outra equipe, formada pelo Marcelo e Gildo, que haviam saído um pouco antes do acampamento, por volta de 10:00 h já tinham iniciado a continuidade do trajeto, subindo o leito seco, a partir do último ponto alcançado na expedição anterior. Logo adiante já realizaram a descoberta de uma nova cavidade junto a um paredão, sendo que para a exploração do mesmo, será necessário o uso de técnicas verticais. Após continuaram seguindo pelo leito, subindo a vertente, verificada a partir do vértice da linha guia, por uns oitenta metros, onde pararam por volta de 11:25 h para lanchar. Deste ponto às 11:40 h retornaram descendo, tentando contornar à direita, com o intuito de tentar voltar para a linha de referência lançada no GPS, no entanto encontrando muitas dificuldades, obrigando-os à retornar e iniciar prospecção para o lado oposto, seguindo uma canaleta até o final, onde descobriram uma segunda cavidade. A partir daí, seguindo uma sequência de pequenas dolinas, descobriram mais cinco cavidades, todas verticais, variando entre grandes bocas e fendas com possível acesso.
Por volta de 16:00 h, após seguirem por mais um trecho, observaram estar seguindo em direção à trilha aberta para chegar à primeira dolina, decidindo assim, seguir abrindo caminho até ela, conectando-as para facilitar a saída e posteriormente o acesso às novas cavidades descobertas. Uma vez conectadas as trilhas, iniciaram o retorno para a cabana, onde chegaram às 18:00 h, com um total de sete novas cavidades descobertas!!!!

Com todos reunidos e sãos, depois de uma boa refeição e um bom bate papo, com cada qual contando sobre as promissoras conquistas do dia, partimos para o merecido repouso!!!!
2:00 h da madruga, Toque de recolher.

09/09/2018
Alvorada 7:40 h.
Diferentemente do primeiro dia de atividades, devido ao Tiberê já estar retornando, decidimos trabalhar com um único objetivo e consequentemente com uma única equipe.
O Gildo, Daniel, Marcelo e eu, juntos, seguiríamos para a garganta descoberta na noite anterior, para confirmar se lá existe uma cavidade que se possa acessar, com o intuito principal de viabilizar o seu cadastro junto ao CNC, caso isso seja possível.
10:30 h saímos da cabana rumo à garganta. Mais uma vez a expectativa era grande!!!!
13:15 h chegamos no riacho onde paramos para lanchar e nos reabastecer de água. Temporariamente nos dividiríamos, eu e o Marcelo seguiríamos para a garganta e iniciaríamos a avaliação e a equipagem para vencer o desnível, que já sabíamos existir. Enquanto o Daniel e o Gildo iriam até a nova cavidade descoberta na grande dolina.
Às 13:45 h, eu e o Marcelo iniciamos a caminhada final, rumo ao objetivo.
14:45 h chegamos na garganta, exatamente no ponto em que havíamos lanchado na noite anterior. Imediatamente começamos a sacar os equipamentos das mochilas e a avaliar como venceríamos o desnível com segurança. Concluí a princípio que seria tranquilo descer, sempre em positivo, usando ancoragens naturais, para atingir o patamar que antecede a enorme boca, que já era possível vislumbrar.
Iniciei a equipagem e a descida, enquanto o Gildo e Daniel se aproximavam abrindo um atalho, ligando a trilha existente, diretamente ao leito seco, pouco acima do ponto de início de descida. Desci com o apoio da corda até faltar somente um último degrau para vencer, que venceríamos facilmente pela direita, junto ao paredão lateral do cânion. Já no patamar pude ver a magnífica entrada por completo, caminhei  até chegar na grande boca e pude verificar a existência de um abismo, um grande desnível a ser vencido, acredito que com uns vinte metros de profundidade.
Cavidade maravilhosa!!!!

A caverna aparentemente segue fazendo uma curva a direita e possui uma boca superior que também merece ser explorada, porém o acesso tem que ser estudado e não aparenta ser fácil. Após todos descerem, o Gildo faz uma avaliação do grande desnível e verifica já existir ancoragens. Mediante a falta de ancoragem para a saída até a borda, o Gildo decide bater um spit para garantir a segurança inicial e outro junto a borda, mas não houve tempo hábil para a instalação de um terceiro, que seria usado para a descida de fato, e muito menos para realizarmos a decida em si, para início da exploração, que será feita em uma próxima investida.
Às 18:50 h iniciamos o retorno para a cabana.
19:10 h havíamos vencido o desnível e começamos a montar as mochilas para logo em seguida, às 19:20 h, iniciarmos a longa caminhada de volta.
19:40 h chegamos na trilha da encosta, aberta por nós, e novamente descemos até o riacho para coletar água.
Às 20:05 h iniciamos a subida da encosta, para às 20:20 h atingirmos o topo.
Às 21:10 h alcançamos a trilha principal e exatamente uma hora depois, às 22:10 h estávamos na cabana, todos exaustos, mas realizados com as muitas e incríveis descobertas feitas nesta expedição.
Naquele momento, somente um banho gelado para revitalizar os músculos e nos manter em pé para o jantar.
01:30 h, Toque de recolher.

10/09/2018
Alvorada 7:30 h.
Antes mesmo do café da manhã, iniciamos a arrumação dos equipamentos.
Muita coisa ainda para organizar, mas só depois de um bom café da manhã, para concluirmos toda a arrumação , transportarmos tudo, carregarmos a Sportage e às 12:00 h iniciarmos a viagem de retorno.
12:40 h chegamos na estrada principal, depois de ficarmos por vinte minutos, observando e trocando ideias no mirante.
14:25 h passamos pela casa do Sr. Amir, resolvemos o que tinha para ser resolvido e seguimos.
16:00 h chegamos em Capão Bonito, fizemos um breve lanche, como é de costume e retomamos a viagem às 16:30 h.
19:15 h estávamos no sítio do Marcelo em Cabreúva.
20:45 h Finalizamos a 62ª expedição, com a nossa chegada em Jundiaí.
Expedição incrível!!!!

Por Mauro de Oliveira Neto

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